Violão para crianças: qual comprar?

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AVISO:  o autor não se compromete com compras realizadas com base neste post! A ideia aqui é auxiliar quem não sabe por onde começar ao comprar um violão infantil, mas a decisão final sobre uma eventual compra é de sua inteira responsabilidade.

violao_crianca

“Qual violão comprar para crianças?” Meus caros, essa pergunta me atormentou por alguns anos, mas aparentemente encontrei algumas soluções razoáveis.

O problema ao escolher violões infantis sempre foi a baixíssima qualidade dos instrumentos disponíveis no mercado. Muitos vinham mal regulados, até mesmo com o braço já empenado, com oitavas desafinadas (o que torna impossível manter a afinação ao longo da escala) ou com péssimo acabamento – já vi um com trastes mal lixados, o que pode inclusive ferir a mão de uma criança. Enfim, a solução sempre era escolher o “menos pior” e torcer para o tempo passar depressa, para então o aluno ter condições de tocar num violão tradicional, tendo, assim, acesso a instrumentos de qualidade.

Na última semana, fui atrás de um violão para uma priminha de 4 anos e decidi dar uma pesquisada no que havia de opções atualmente. Nessa busca, encontrei três modelos interessantes, que combinam boa qualidade (bem regulados, bem afinados e com bom acabamento) e um preço razoável. Não considero o preço que paguei excepcional, mas, como as opções mais baratas eram instrumentos horrorosos, o custo benefício acabou compensando.

Os modelos são Rozini Baby Di Giorgio Piccolo (comentarei também sobre o Shelby a seguir). Acabei optando pelo Rozini, pois os exemplares que testei na loja eram ligeiramente superiores aos da Di Giorgio e estavam com um preço melhor. Mas isso não quer dizer que o Rozini Baby será sempre superior. É comum que a qualidade dos exemplares de um mesmo modelo variem bastante, então é sempre bom você fazer a comparação pessoalmente. Caso você não saiba avaliar um violão ainda, leve alguém que o saiba para evitar arrependimentos futuros.
Existe ainda o violão infantil da marca Shelby, da qual nunca tinha ouvido falar, e que era razoável. Um pouco mais baratos que os dois citados acima, mas ainda assim um violão bem regulado e afinado, apesar de ter um acabamento mais com cara de “violão de brinquedo” que os outros. Aí é questão de gosto!

Aqui em São Paulo, na Rua Teodoro Sampaio, foi difícil encontrar esses violões nas lojas. Como esta rua é um dos principais pontos de concentração de lojas de instrumentos musicais do país, dá para imaginar que será complicado encontrá-los por aí, mas eu afirmo que a busca será recompensada – criança nenhuma merece tocar nos violões de outras marcas que eu vi por lá, todos horrorosos. Menção especial ao violão da série Tagima Kids: absolutamente horrorosos. Completamente desafinados. Uma pena que a Tagima, empresa que fabrica guitarras muito legais, tenha tamanho descuido com a própria marca, ao colocar no mercado um instrumento de tão baixa qualidade. Lamentável!

Ah! E o preço? No Rozini Baby paguei R$ 450,00 à vista (compra feita em novembro/2015). Foi barato? Honestamente, há violões para crianças a partir de R$ 100,00. A diferença é que todos os mais baratos eram péssimos instrumentos (exceção feita ao Shelby), logo, no fim das contas saiu por um bom custo/benefício.
Em outra loja da mesma rua, o Di Giorgio Piccolo estava saindo por mais de R$ 500,00, mas era, também, um bom violão. O Shelby infantil estava por volta de R$360,00. Talvez este seja a melhor opção para quem está com a grana curta.

Algumas observações, antes de encerrar:

  • na internet você acha os mesmos modelos por preços mais baixos, mas eu não recomendo comprar instrumentos musicais pela internet, sem experimentar o exemplar que você irá levar para casa! Como dito acima, instrumentos de fábrica oscilam muito em qualidade, ainda que dentro do mesmo modelo, então é bom testar pessoalmente.
  • não tenho nenhum vínculo com as marcas citadas, estou comentando sobre os violões acima por julgar que atendem aos objetivos a que se propõem. Também não tenho nada contra a Tagima, que faz ótimas guitarras; apenas acho um tiro no pé uma marca já consolidada no mercado oferecer um produto tão ruim como os da linha Kids.
    O wordpress, que abriga este blog, publica propagandas em algumas páginas, mas eu não tenho controle sobre quais anúncios aparecem, e nem recebo nada por isso. Se você vir algum anúncio de violões aqui no blog, saiba que eu não endosso nenhum deles a priori. É apenas uma concessão que devo fazer ao wordpress por usar o espaço “gratuito” deste blog.
  • é muito provável que algum luthier faça, artesanalmente, violões infantis de qualidade superior aos dois que citei aqui. Contudo, é provável que o preço fique bem acima também, além de envolver, geralmente, tempo de espera após a encomenda. A sugestão aqui é para quem não conhece nada do mercado e procura uma solução simples e rápida. Se você tem uma indicação diferente, coloque nos comentários ou me mande por e-mail.
  • não é raro que as fábricas de instrumentos mudem o nome dos modelos, então verifique se os que sugeri aqui ainda existem, ou se as marcas alteraram a nomenclatura.
  • obviamente, não me comprometo com exemplares ruins colocados no mercado. Esse post é apenas uma ajuda, uma sugestão para que as pessoas tenham um ponto de partida e de referência ao comprar violões infantis. REPETINDO: caso você siga as sugestões acima, você o fez por sua conta e risco!

 

Como Escolher um Professor de Violão

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Ao longo da minha vivência musical, tive o privilégio de ser aluno dos principais professores de violão do país. Por ter a clara percepção de o quanto isso foi determinante na minha evolução como músico (e até mesmo como professor), considero o momento da escolha do professor um dos mais importante da vida musical de alguém. Tendo isso em mente, e levando em conta o número de histórias sobre frustrações que poderiam ser evitadas quando se trata disso, decidi escrever sobre o assunto

Antes de começar, uma bela homenagem musical ao professor de violão. Nesse terreno, não conheço música mais bonita que o “Choro Chorado pra Paulinho Nogueira”, música de Toquinho, Paulinho Nogueira e Vinícius de Moraes.

Na hora de escolhermos um produto ou serviço, temos o instinto de escolher baseado em dois aspectos: o mais próximo e o mais barato.
Com os serviços de educação, porém, uma análise mais cuidadosa deve ser feita, pois, além do dinheiro investido, o aluno investirá também grande quantidade de tempo no aprendizado, e a escolha do professor inadequado pode transformar um sonho em decepção.

Com o ensino de música não é diferente. Por mais que preço e proximidade sejam fatores importantes, em especial nas grandes cidades, é necessário ter certos cuidados na hora de contratar um professor, em especial se o aluno for uma criança.

Referências
Procure informações sobre o professor por fontes imparciais. Tente contactar locais onde ele já trabalhou, ex-alunos, matérias de jornal, programas de tv ou o que estiver à sua disposição. Isso lhe dará mais segurança a respeito da idoneidade do profissional.

Formação
Procure conhecer o histórico da formação do professor. Com quais professores ele estudou, em quais escolas, se tem graduação numa Faculdade de Música, etc.

Adequação aos seus objetivos

Procure conversar com o professor a respeito do que você pretende com o estudo de música e certifique-se de que o profissional pode atender estes objetivos. Por exemplo, se você pretende aprender a tocar rock’n’roll, de nada adiantará estudar com o melhor professor de violão clássico do país, caso este não saiba ensinar o que você pretende.

É comum, conforme o aluno evolui nos estudos, despertar o interesse por coisas diferentes das que se desejava no início. Neste caso, informe ao professor seus novos objetivos e veja se o profissional ainda pode atendê-los. Caso contrário, peça recomendações sobre outros músicos.

Converse pessoalmente antes de decidir
É muito comum os profissionais oferecerem aulas demonstrativas ou agendarem uma conversa, sem compromisso, antes de iniciar efetivamente as aulas. É neste momento que você deve fazer todas as perguntas que vierem à sua mente. Não pense que você está sendo incômodo: para os professores, nada melhor do que entender bem quais os desejos do aluno antes de iniciarem as aulas. Se o profissional que você procurar não oferecer isto, peça! A não ser que você tenha excelentes recomendações de pessoas de sua confiança, essa conversa é crucial para a decisão.

Cuidado com impressões isoladas
Apesar de ser importante termos referências a respeito dos professores, nem sempre uma experiência negativa de outra pessoa significa que a sua também será. O ensino de música é uma relação entre dois indivíduos, professor e aluno, e nem sempre ela deixa de funcionar por conta exclusivamente do professor. Bom senso na hora de julgar é importante.

Mitos sobre professores de música
Alguns assuntos sobre música dão margem a muitas lendas e o tema aqui tratado é terreno fértil para isso. Veja a seguir algumas delas que podem prejudicar sua decisão:

“O professor de música precisa tocar mais de um instrumento.” Não! Isso não diz nada sobre sua qualidade ao ensinar o instrumento que você escolheu, nem sequer garante que ele seja competente em todos os instrumentos que ele diz tocar.

“Quem toca bem um instrumento é automaticamente um bom professor.” Nem sempre! Apesar de pouco comum, existem professores de música que praticamente abandonam seus instrumentos para se dedicar exclusivamente ao ensino. Isso não é demérito, mas uma opção pessoal. O principal exemplo disso é Henrique Pinto, o maior professor de violão clássico que o Brasil já teve, falecido em 2010, e que praticamente não tocava violão ao final de sua carreira (apesar de ter tocado muito bem quando jovem).
O outro lado da história também é verdade: nem sempre quem é um grande instrumentista é bom professor. Muitas vezes, grandes músicos não têm a paciência e o prazer necessários para ensinar com qualidade.

“Escolas de música são melhores do que aulas particulares.” Na verdade, é praticamente o oposto. Apesar de haver exceções (grandes escolas de música com excelentes professores), em geral os melhores professores de música não dão aulas em escolas de música, por uma razão simples de entender: escolas de música tendem a pagar menos do que aulas particulares. (uma parte da mensalidade fica com a escola, outra é para remunerar funcionários – como secretárias-, gastos como aluguel, etc.)
Por isso, não se deixe iludir por uma fachada bonita de escola, pois o fator crucial para seu aprendizado será o professor.

Qual a Diferença Entre Violão Clássico/Erudito e Popular?

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Uma das dúvidas mais comuns entre os alunos de violão diz respeito às diferenças entre o violão clássico/erudito e o popular. É também uma das dúvidas que mais gera respostas insatisfatórias que, ao invés de esclarecer, acabam por gerar mais confusão.
Para piorar, essa dúvida ocorre com o violão mais do que com outros instrumentos, pois ele é o que melhor transita entre os dois gêneros de música, tanto popular (tocando rock’n’roll, pop music, samba e afins) quanto clássica.
Na verdade, o que determina se o músico é um violonista clássico ou popular é o repertório (quais as músicas) que ele toca (existem músicos que tocam os dois tipo de música ao violão – logo, podem ser considerados violonistas popular E clássicos, ao mesmo tempo). Ou seja, para entender a diferença entre violão clássico e popular é preciso entender primeiro a diferença entre MÚSICA clássica e MÚSICA popular e como o violão se “encaixa” em cada um desses gêneros.
Antes de passar às diferenças práticas, é preciso deixar claro que em muitos momentos é quase impossível diferenciar se a música é clássica ou popular, e essa é uma discussão que pode se tornar muito complexa. Neste texto, serão apresentados as principais diferenças e da maneira mais prática possível, mas o leitor deve ter em mente que sempre haverá exceções e “regiões nebulosas”. A intenção aqui não é esgotar o assunto, mas apenas introduzir o leitor ao tema.
Violão Popular:

Em geral, na música popular o violão faz o acompanhamento harmônico, ou seja, os acordes que acompanham a melodia principal da música e que é, em geral, tocada por outro instrumento (como a voz ou uma flauta).

João Gilberto tocando o típico violão popular de acompanhamento com acordes.

Apesar de o principal papel do violão na música popular ser o de acompanhar outros instrumentos ou cantores, nosso querido instrumento de 6 cordas também pode fazer o papel de melodia principal e ser acompanhado por outros instrumentos (um piano ou até mesmo outro violão).


Raphael Rabello, ao violão, sendo acompanhado pelo piano. A partir dos 0:57 os papeis se invertem, e o violão passa a acompanhar o piano. Em 1:35 novamente o violão passa a ser acompanhado pelo piano.  Em 2:11, ambos fazem a melodia principal juntos até o final.

Também é isso o que acontece quando o violão executa um solo de jazz, por exemplo.


Você consegue diferenciar qual dos dois violonistas está fazendo a melodia/solo e qual está tocando o acompanhamento com acordes? Eles também alternam os papeis, preste atenção!

Na música popular, o violão pode ser tocado com palheta ou com os dedos; essa decisão depende exclusivamente do gosto e do objetivo do instrumentista.

Violão Clássico/Erudito:
Já na música clássica, o mais comum é o violão não ter a companhia de nenhum outro instrumento. Para isso damos o nome de “violão solo”.
Por estar sozinho ao executar a música, o violonista precisa fazer a melodia + acompanhamento ao mesmo tempo. Essa é uma das principais características das músicas clássica/eruditas escritas para violão. Como o violão precisa tocar duas coisas simultaneamente (melodia e acompanhamento), quase sempre o violonista precisa executar mais de uma corda ao mesmo tempo, com uma precisão e complexidade maior que na música popular. Por isso, é muito complicado executar este tipo de música usando palheta, e o mais comum é que os violonistas clássicos/eruditos usem apenas os dedos para tocar.


Repare como um único violão parece estar tocando diversas coisas ao mesmo tempo. Experimente fazer isso com uma palheta e você enlouquece!

Obviamente, nem sempre o violão está sozinho ao tocar músicas clássicas e existem casos em que ele faz apenas acompanhamentos. Mas, por uma questão de tradição, mesmo nesses momentos é incomum utilizar palheta.

 

Repare como violão toca apenas acordes a maior parte do tempo. Não é impossível tocar esta peça com palheta, mas, por uma questão de timbre e tradição, é incomum encontrar alguém que faça isso.

Como dito anteriormente, existem momentos em que é difícil determinar a diferença. A música, por ser uma forma de expressão artística, é algo difícil de colocar dentro de modelos e regras. Como exemplo dessas exceções, é possível citar:

– obras clássicas para violão em que se usa obrigatoriamente palheta (ex.: Concerto n°2 para violão e orquestra, de Alexandre de Faria) – infelizmente, não há vídeos para esta música.

– músicas populares em que o violonista executa a melodia + acompanhamento ao mesmo tempo, como no violão clássico (ex.: choros de Dilermando Reis)

 

– instrumentos típicos da música popular, como a gaita/harmônica, sendo usados em obras clássicas/eruditas (“existe diferença entre gaita popular e gaita erudita?” Essa não!)

 

CUIDADO! É muito comum ouvir por aí que o violão clássico se toca sobre a perna esquerda e o violão popular sobre a perna direita. Isso é um ERRO! Não há regra sobre qual perna se deve tocar; isso depende exclusivamente de como o músico se sente mais confortável.

Como foi explicado no início do texto, o que determina a diferença entre violão popular e clássico é a MÚSICA que será tocada. Logo, se alguém for tocar rock’n’roll e colocar o violão sobre a perna esquerda, ainda estará tocando violão popular, pois a música continua sendo popular, independente da perna em que se apoia o instrumento.

[Vídeos de Violão Instrumental] Depoimentos de grandes violonistas – “1° Panorama Musical”

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Em 2012, fui diretor artístico da série de concertos “1° Panorama Musical – Violão”, realizada em Vinhedo/SP.
Entre abril e novembro daquele ano, 8 dos principais artistas e grupos do violão nacional se apresentaram no Teatro Municipal da cidade.

Aproveitando a passagem destes mestres por lá, produzimos vídeos com o depoimento de cada um deles acerca de alguns assuntos ligados ao violão e à música em geral. Temas como carreira de músico, atividade de compositor, como conciliar diversas atividades artísticas diferentes, inspiração e influências musicais, entre outros que estão presentes no cotidiano de quem está envolvido com envolvido com esta arte, seja como profissional ou apreciador.

O projeto teve patrocínio do Ministério da Cultura e da LuizaCred, empresa do Grupo Magazine Luiza, além de contar com o Apoio Cultural da Secretaria de Cultura de Vinhedo.

Aqui um dos vídeos, com o mestre Marcus Tardelli (em minha opinião, o principal nome do violão revelado nos últimos anos):

Os outros vídeos estão na página do projeto no Youtube:
http://www.youtube.com/user/panoramamusical

Os vídeos foram produzidos por Leo Nucci: http://leonucci.com/

Espero que gostem e que os vídeos tragam informações relevantes!

A Postura No Violão Clássico/Erudito

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Esse é um assunto que vai longe…muito longe. Minha intenção é escrever com mais calma a respeito, mas a princípio queria transmitir uma ideia bem genérica: Não existe uma única maneira de se posicionar o instrumento na hora de tocar violão (clássico ou não!).

Minha intenção é tentar contribuir para derrubar esse mito, de que o violão clássico se toca apoiando o instrumento na perna esquerda e o popular na perna direita.
Não me importa muito discutir de onde vem essa ideia, mas basta pensar o seguinte: se eu tocar Beatles com o violão na perna esquerda, a música passa a ser clássica simplesmente porque eu troquei de perna? Obviamente, não!
O que define violão clássico/popular é o repertório que você vai tocar e a maneira como irá abordá-lo.

Postura com o instrumento é uma questão de saúde e eficiência técnica (alcançar um bom resultado mecânico com o menor desgaste/esforço possível). Não tem a ver com atitude, estilo musical ou outra coisa qualquer.

Bom, para ilustrar o que estou dizendo, vou colocar a seguir uma seleção de vídeos de grandes violonistas clássicos, alguns de minha preferência, outros nem tanto. Mas todos abaixo eu considero exemplos de músicos que conseguiram encontrar uma boa postura. Vocês vão ver quantas possibilidades existem, e espero que isso ajude a quebrar o mito de que só existe uma maneira certa.

Como ponto de partida para tudo que se refere a violão clássico, o espanhol Andrés Segovia.  Aqui tocando magistralmente uma obra de Fernando Sor. Esse vídeo sempre é usado por professores  como exemplo de alguém que toca sem tensões, relaxado. Fábio Zanon e Everton Gloeden já me disseram que consideram este vídeo um dos grandes momentos do violão!
Repare como os ombros estão relaxados (apesar de não muito alinhados), a mão direita cai tranquilamente sobre o violão, o braço esquerdo viaja com leveza pelo braço. Uma beleza!

Aqui, outro que encontrou sua maneira (não tão diferente da de Segovia, com quem estudou!) relaxada e saudável de tocar: John Williams.

Aqui, o italiano Carlo Marchione. Conheci seu trabalho faz pouco tempo, mas é um cara que me impressionou muito! Neste vídeo, onde infelizmente o áudio não faz justiça à execução, outra aula de domínio completo sobre o violão, tocado sem esforço.
Repare que aqui o violão já está mais inclinado em comparação aos vídeos anteriores, o que faz com que o braço do instrumento fique mais alto. Veja como não há regras!

Outro mestre! David Russell, aqui um perfeito exemplo de como posicionar o violão com os ombros alinhados. Repare no pé direito do senhor no vídeo! Uma comédia…

Aqui o que é provavelmente o exemplo mais radical de mudança em busca de uma maneira confortável de tocar: Paul Galbraith. Alguma semelhança com o primeiro vídeo, a não ser o fato de ambos estarem felizes com sua própria maneira de tocar?

Aqui, o espanhol Ricardo Gallen, tocando Bach (que até onde eu sei, não é um compositor popular =P) com o violão na perna direita! Não sei se é a postura mais indicada para tocar violão (eu não me sinto bem cruzando as pernas desse jeito pra tocar), mas é um grande músico e não parece apresentar dificuldades técnicas por conta da postura.

Existem inúmeros outros exemplos pelo youtube e nos festivais de violão (visite o mais próximo de você!). O que quero mostrar é que tocar violão clássico não depende de como você posiciona o seu instrumento, e sim da maneira como você pensa e encara as músicas que toca.
Converse com seu professor para encontrar a que melhor se adequa a você e fuja das regrinhas prontas.
Um pessoa de 1,90m de altura NÃO VAI tocar violão na mesma posição que alguém de 1,50m. Regras pré-estabelecidas só servem para gerar desconforto e frustração na hora de tocar.

Bons estudos!

Quantas Horas Estudar de Música?

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Essa é uma das perguntas mais frequentes que ouço dos meus alunos iniciantes!

“Quantas horas devo estudar de violão por dia para aprender a tocar bem?”, “Quanto tempo devo me dedicar a guitarra para conseguir tocar as primeiras músicas?”, e todas as variações possíveis a esses questionamentos.

O tempo de prática no começo do aprendizado não deve ser muito longo, por duas razões básicas:

Primeiro, no início o aluno não deve ser sobrecarregado com exercícios e músicas para praticar (isso cabe ao professor dosar). Logo, se não há muito material para praticar, não há necessidade de horas e horas diárias de estudo para dar conta.

Segundo, no início o aluno precisa acostumar aos poucos sua musculatura para a prática do instrumento. Não é saudável nas primeiras semanas passar horas e horas numa postura que você não está acostumado, ainda mais realizando uma atividade nova e exigente como tocar um instrumento.

Por isso, o que eu recomendo no início é que o aluno dedique-se por volta de 30 a 40 minutos diários ao instrumento. Obviamente, exercícios de teoria, solfejo, rítmica e outros do tipo podem e devem ser acrescidos a esses minutos, já que eles não causam lesões! Mas deve-se observar o  primeiro aspecto comentado anteriormente: não sufocar o aluno iniciante com dezenas de exercícios.

Caso a empolgação seja grande no aluno, e este queira praticar 1h ou mais por dia, é importante dividir esse tempo em mais de uma sessão de estudos. Nem mesmo músicos profissionais deveriam passar mais que 1h praticando sem intervalos, quanto mais alguém que está se adaptando a esta atividade.
Neste caso, se o aluno separar bem as sessões de estudos, ele pode praticar até mesmo 1h30 por dia. Algo como 30 min. pela manhã, 30 min. de tarde e 30 min. de noite.

Conforme o aluno for se sentindo mais confortável com o estudo, sem sentir cansaço (físico e mental), o tempo de dedicação diário pode chegar até mesmo a 6hs, 8hs…tudo depende do seu objetivo com o estudo.  Você quer ser um profissional, tocar por diversão, incentivar seus filhos a estudar música? Esse é o fator que vai definir o tempo ideal.

Como tudo em música, o acompanhamento de um professor experiente é fundamental para elaborar uma rotina saudável a produtiva de estudo. Isso é o segredo para longos e prazerosos anos de dedicação à música.

No próximo post, vou falar um pouco mais sobre como desenvolver uma maneira produtiva de praticar violão e guitarra. Como abordar diretamente as dificuldades que se encontram em uma música nova, e não perder nosso precioso tempo “chovendo no molhado”.

Até lá!

Para entrar em contato, use o email contato@andrepriedols.com, ou deixe uma mensagem nos comentários do post.

Escalas e a Sincronia Entre as Mãos

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Um dos principais problemas mecânicos a se superar no violão ou guitarra é a sincronia entre as mãos.
Enquanto no piano (por exemplo) uma nota pode ser executada com apenas um dedo, nos instrumentos de corda pinçada praticamente todas as notas necessitam do esforço conjunto de ambas as mãos (excetuando-se as cordas soltas!)

Por isso, para se adquirir uma técnica limpa e precisa, é necessário que este fundamento (sincronia)esteja absolutamente controlado e dominado.
Muitas das vezes em que ouvimos alguém tocar com velocidade, porém sem muita clareza nas notas (o que chamamos por vezes de som sujo), temos claramente um problema de sincronia entre as mãos.

Como solucionar este problema? A bem da verdade, quase tudo que é tocado ao violão e guitarra deve ser estudado com atenção a esse aspecto, mas hoje vou falar especificamente sobre as escalas ao violão. Provavelmente é quando executamos escalas que os problemas de sincronia ficam mais claros de se ouvir, e mais difíceis de se contornar.
Lembro-me que só me dei conta disto quando, alguns anos atrás, pedi para minha professora Ângela Muner me passar exercícios de escala. Ela disse de cara: escalas necessitam sincronia perfeita. Vamos trabalhar isso antes.

Como todo estudo de técnica, os exercício que vou recomendar necessitam de:

– atenção (não adianta praticar vendo TV ou no Msn)
– constância (não adianta praticar uma vez por semana, nem esperar resultados em 2 dias)
– supervisão (de um professor de qualidade, sempre!)
– precisão (não se satisfaça com nada abaixo do perfeito)

Sobre esse último aspecto, perfeição, esclareço que ela vale para o aspecto rítmico (sempre use metrônomo!), para a sonoridade ao tocar, equilíbrio de volume e timbre entre as notas.

Vou sugerir dois exercícios, que me ajudaram (e ainda ajudam) a trabalhar a questão da sincronia. O primeiro eu desenvolvi por conta própria, na época em que estudava com a Ângela Muner. O segundo me foi passado pelo violonista Fábio Zanon (com quem estudo atualmente) que, dentre outras atividades, é professor visitante da Royal Academy of Music de Londres.

Exercício 1)

Neste exercício, vamos trabalhar alternando entre cordas soltas e presas. Esse é um dos movimentos mais difíceis de se executar com limpeza. A distância “corda/braço do violão” é muito diferente entre a corda solta e ela presa, por isso devemos praticar esse gesto com atenção.  Se a sincronia não for perfeita, o ruído irá aparecer. É preciso cuidado na hora de pousar o dedo na corda, além de realizar esse movimento no momento exato ao do ataque da mão direita.

O exercício é simples. Trabalharemos com pares de notas, uma corda solta e uma presa. A mão direita irá alternar entre os pares de dedos i-m, i-a e m-a.
Começamos na 1a corda, usando o dedo 1 na casa 1. Subimos de corda em corda até a 6a, sempre usando o dedo 1 na casa 1, e depois descemos até a corda 1 novamente.
Ao retornarmos, fazemos a mesma série, mas agora usando a corda solta e o dedo 2 na casa 2.
Fazamos isso sucessivamente, até o dedo 4 na casa 4.

Deve-se iniciar com o metrônomo por volta de 100 bpm, uma nota por batida, e ir aumentando a velocidade lentamente, talvez de 10 em 10 bpm.
Após realizar na primeira posição do violão, o estudante pode realizar a série em outras casas do braço, o que aumenta a dificuldade, já que a corda fica ainda mais distante do braço, e a relação do conjunto do braço esquerdo muda conforme subimos pela escala do violão.

Outra dica bacana que o Fábio me passou: na mão direita, com os pares i-m//i-a//m-a deve-se alternar qual o dedo começa a série, mudando entre um dia e outro do estudo. Assim, a série não fica muito longa num dia só, e você pratica as duas possibilidades sempre na mesma quantidade.

Também deve ser realizado usando o toque com apoio, o que dificulta ainda mais.
O polegar direito pode ser apoiado sobre a corda imadiatamente superior a qual se está tocando. (Se estiver tocando na 1a corda, apoie o polegar na 2a)
Pratique com o polegar livre e com o polegar repousado na corda, e tente conseguir a sonoridade mais parecida possível entre os dois jeitos.

Exercício 2)

Este segue o mesmo raciocínio do anterior, mas agora ao invés de a mão esquerda alternar entre cordas soltas e presas, realizamos o exercício apenas com cordas presas.
Começamos com o dedo 1 na casa 1.
A primeira série será realizada com os dedos 1 e 2 (casas 1 e 2, respectivamente). Depois, realizamos os pares 1-3, 1-4, 2-4, 3-4.

Repare que, ao se iniciar a série com o dedo 1 na casa 1, a mão esquerda se manterá na mesma posição para todos os pares de dedos.
É recomendável que este também seja praticado em várias regiões do braço do violão.
A mão direita segue as mesmas regras do exercício anterior.

Espero que estes dois exercícios simples ajudem os que encontram problemas com escalas. Eles não invalidam o estudo de escalas propriamente ditas, mas são ótimos exercícios preliminares, pois colocam as mãos “na forma”. Se você encontrar dificuldade para realizar estes exercícios com uma sincronia perfeita entre as mãos, a chance de você estar tocando escalas sujas é enorme, já que numa situação normal de escala você também encontra saltos de mão esquerda, inversão de dedos na mão direita, etc. A ideia agora é isolar o aspecto sincronia e domina-lo!
Grave você tocando e escute com o maior senso crítico do mundo, isso é bastante revelador!

Qualquer dúvida, crítica, sugestão, poste nos comentários ou mande email para: contato@andrepriedols.com

Até o próximo post!