Como Escolher um Professor de Violão

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Ao longo da minha vivência musical, tive o privilégio de ser aluno dos principais professores de violão do país. Por ter a clara percepção de o quanto isso foi determinante na minha evolução como músico (e até mesmo como professor), considero o momento da escolha do professor um dos mais importante da vida musical de alguém. Tendo isso em mente, e levando em conta o número de histórias sobre frustrações que poderiam ser evitadas quando se trata disso, decidi escrever sobre o assunto

Antes de começar, uma bela homenagem musical ao professor de violão. Nesse terreno, não conheço música mais bonita que o “Choro Chorado pra Paulinho Nogueira”, música de Toquinho, Paulinho Nogueira e Vinícius de Moraes.

Na hora de escolhermos um produto ou serviço, temos o instinto de escolher baseado em dois aspectos: o mais próximo e o mais barato.
Com os serviços de educação, porém, uma análise mais cuidadosa deve ser feita, pois, além do dinheiro investido, o aluno investirá também grande quantidade de tempo no aprendizado, e a escolha do professor inadequado pode transformar um sonho em decepção.

Com o ensino de música não é diferente. Por mais que preço e proximidade sejam fatores importantes, em especial nas grandes cidades, é necessário ter certos cuidados na hora de contratar um professor, em especial se o aluno for uma criança.

Referências
Procure informações sobre o professor por fontes imparciais. Tente contactar locais onde ele já trabalhou, ex-alunos, matérias de jornal, programas de tv ou o que estiver à sua disposição. Isso lhe dará mais segurança a respeito da idoneidade do profissional.

Formação
Procure conhecer o histórico da formação do professor. Com quais professores ele estudou, em quais escolas, se tem graduação numa Faculdade de Música, etc.

Adequação aos seus objetivos

Procure conversar com o professor a respeito do que você pretende com o estudo de música e certifique-se de que o profissional pode atender estes objetivos. Por exemplo, se você pretende aprender a tocar rock’n’roll, de nada adiantará estudar com o melhor professor de violão clássico do país, caso este não saiba ensinar o que você pretende.

É comum, conforme o aluno evolui nos estudos, despertar o interesse por coisas diferentes das que se desejava no início. Neste caso, informe ao professor seus novos objetivos e veja se o profissional ainda pode atendê-los. Caso contrário, peça recomendações sobre outros músicos.

Converse pessoalmente antes de decidir
É muito comum os profissionais oferecerem aulas demonstrativas ou agendarem uma conversa, sem compromisso, antes de iniciar efetivamente as aulas. É neste momento que você deve fazer todas as perguntas que vierem à sua mente. Não pense que você está sendo incômodo: para os professores, nada melhor do que entender bem quais os desejos do aluno antes de iniciarem as aulas. Se o profissional que você procurar não oferecer isto, peça! A não ser que você tenha excelentes recomendações de pessoas de sua confiança, essa conversa é crucial para a decisão.

Cuidado com impressões isoladas
Apesar de ser importante termos referências a respeito dos professores, nem sempre uma experiência negativa de outra pessoa significa que a sua também será. O ensino de música é uma relação entre dois indivíduos, professor e aluno, e nem sempre ela deixa de funcionar por conta exclusivamente do professor. Bom senso na hora de julgar é importante.

Mitos sobre professores de música
Alguns assuntos sobre música dão margem a muitas lendas e o tema aqui tratado é terreno fértil para isso. Veja a seguir algumas delas que podem prejudicar sua decisão:

“O professor de música precisa tocar mais de um instrumento.” Não! Isso não diz nada sobre sua qualidade ao ensinar o instrumento que você escolheu, nem sequer garante que ele seja competente em todos os instrumentos que ele diz tocar.

“Quem toca bem um instrumento é automaticamente um bom professor.” Nem sempre! Apesar de pouco comum, existem professores de música que praticamente abandonam seus instrumentos para se dedicar exclusivamente ao ensino. Isso não é demérito, mas uma opção pessoal. O principal exemplo disso é Henrique Pinto, o maior professor de violão clássico que o Brasil já teve, falecido em 2010, e que praticamente não tocava violão ao final de sua carreira (apesar de ter tocado muito bem quando jovem).
O outro lado da história também é verdade: nem sempre quem é um grande instrumentista é bom professor. Muitas vezes, grandes músicos não têm a paciência e o prazer necessários para ensinar com qualidade.

“Escolas de música são melhores do que aulas particulares.” Na verdade, é praticamente o oposto. Apesar de haver exceções (grandes escolas de música com excelentes professores), em geral os melhores professores de música não dão aulas em escolas de música, por uma razão simples de entender: escolas de música tendem a pagar menos do que aulas particulares. (uma parte da mensalidade fica com a escola, outra é para remunerar funcionários – como secretárias-, gastos como aluguel, etc.)
Por isso, não se deixe iludir por uma fachada bonita de escola, pois o fator crucial para seu aprendizado será o professor.

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2 comentários sobre “Como Escolher um Professor de Violão

  1. Olá, André!

    Primeiramente, parabenizo pelo post. Assunto oportuno e abordagem clara.

    Concordo com o cuidado que se deve ter ao escolher um professor. Penso principalmente na atenção que os pais devem ter quando querem escolher um professor para suas crianças.

    Não me esqueço de uma aluna minha, cujo pai era policial. Ele me investigou tanto antes de eu me tornar de fato instrutora da filha dele! Ele pediu bastante dados, procurou minha ficha criminal… rsss Mas isso foi importante para o relacionamento saudável, seguro e tranquilo que se iniciou desde então.

    Acredito que o post poderia ter tangido a existência de professores picaretas. De fato, o ponto já está subentendido no texto, mas como estou nesse ambiente, sei da presença de MUITOS professores ruins, interesseiros, sem didática e honestidade. Boa vontade não é o suficiente. E apesar de violão ser um instrumento difundido, a qualidade educacional do instrumento não é tão popular assim… Daí a preocupação com currículos, depoimentos… O que você acha sobre isso?

    Outro fator de destaque é o ambiente em que se vai realizar as aulas: tem-se que tomar cuidado com o local até onde o aluno terá que se deslocar; observar se o professor virá até a residência; procurar não ficar sozinho com o professor em casa, no início… São questões de segurança que podem causar certo desconforto no começo da relação, mas não dá de confiar em quem não se conhece bem.

    Obrigada pela atenção!
    Abraços e boa semana, André!

    1. Olá, Amanda. Obrigado pela visita e pelas observações.

      De fato, existem professores de violão picaretas como em qualquer profissão. Apesar disso, estou numa fase zen da vida e preferi dar ênfase em “como encontrar alguém competente”, ao invés de “como evitar os picaretas”!haha São lados da mesma moeda, muda só o objeto que estará no foco. 🙂

      Falando em “picaretas”, acho importante fazer uma distinção. Existem profissionais bem intencionados, aplicados e interessados na evolução do aluno mas que, por inúmeras questões, têm falhas de formação ou pouca prática com o ensino. Não gosto de julgar esse tipo de profissional como “picareta”, mas como alguém que precisa de aperfeiçoamento.
      Uso como exemplo a minha própria trajetória: comecei a dar aulas por volta dos 14/15 anos e, obviamente, dava aula de uma maneira menos eficiente e competente do que hoje em dia. Felizmente nossa sociedade encontra mecanismos para regular isso: cobrava muito menos pelas aulas do que hoje em dia, tinha muito mais alunos iniciantes do que experientes, meus primeiros alunos eram meus amigos e parentes, etc. O tempo e o esforço se encarregam de nos tornar profissionais melhores.

      Já o típico “picareta”, pra mim, é algo mais relacionado a caráter do que a conhecimento. É exatamente como você disse: são interesseiros (no sentido de se interessar exclusivamente pelo dinheiro e não pelo desenvolvimento do aluno), não cuidam da didática nem se preocupam em se aprimorar, alguns desonestos (dão aquela “comida” de tempo de aula tomando café e coisas do tipo). Enfim, espero que de alguma forma meu texto ajude as pessoas a fugir de profissionais assim, pelo bem da profissão como um todo.

      Quanto ao cuidado com crianças, realmente ele deve ser triplicado. O exemplo que você usou é perfeito: se eu tivesse acesso à ficha criminal de alguém que vai passar um bom tempo com meus filhos, certamente usaria isso a meu favor!haha

      Abraços e obrigado mais uma vez pela visita.
      André

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